O melhor dos quadrinhos brasileiros desembarca em Lisboa

O lançamento do “Catálogo HQ Brasil” reúne o melhor da produção nacional contemporânea de histórias em quadrinhos, numa iniciativa da Bienal de Quadrinhos de Curitiba e a Embaixada do Brasil em Lisboa.  

Com 150 páginas, o livro é um apanhado do que há de mais relevante no país. Érico Assis, editor do catálogo ao lado da organização da Bienal de Quadrinhos, conta à RFI como foi o processo de curadoria.

“O convite veio com alguns parâmetros em termos de representatividade, como respeitar todas as regiões do Brasil, contemplar um número próximo de autores e autoras, escolher temas relacionados com a História do Brasil, a cultura brasileira”, relata. “Também decidimos limitar aos últimos dez anos de produção, um período muito forte do quadrinho brasileiro.”

Entre os quadrinistas que fazem parte deste seleto catálogo, está o premiado André Diniz, com “Morro da Favela”, que lhe valeu projeção internacional.

“Falar simplesmente que este catálogo é algo fantástico é falar pouco, pois muita gente não tem noção da dimensão disso. Há 15 anos, o desfaio de um autor era publicar mesmo no Brasil: éramos poucos, um lia o do outro e era um meio muito restrito”, comenta Diniz. “Hoje, o quadrinho brasileiro chega na Europa, nos Estados Unidos, nos principais mercados e finalmente a gente consegue fazer uma ponte cultural com Portugal, nosso país irmão.”

Rodrigo Rosa, que fez a adaptação em quadrinhos do clássico “Grande Sertão: Veredas”, acredita que o livro é mais um passo na consolidação do momento forte que vive a categoria.

“O quadrinho brasileiro vive a sua fase de ouro no Brasil. Nunca se produziu tanto, nem tanta oportunidade de publicação, nunca se distribuiu tanto e nem se falou tanto no quadrinho brasileiro, não só no Brasil como no exterior”, ressalta Rosa. “Os autores brasileiros andam ganhando vários prêmios mundo afora. O catálogo avaliza este momento e tenta condensar essa energia criativa, que é realmente muito interessante e muito vasta”, afirma o artista.

As histórias em quadrinhos possuem uma longa tradição no Brasil – remontam à primeira metade do século XIX. “ Desde então, o setor cresceu e se tornou um dos mais consistentes nichos da economia criativa brasileira, transcendendo o domínio editorial em direção às animações para televisão e cinema, aos parques temáticos, aos videogames e aos licenciamentos de numerosos objetos. Pelas páginas do catálogo, propomos um encontro entre diplomacia e quadrinhos para benefício da divulgação da cultura brasileira”, enfatiza do embaixador do Brasil em Lisboa, Luiz Alberto Figueiredo.

 

Por: Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa

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